Thursday, November 12, 2009

confissões de um bêbado iniciante

Em condições normais, eu não estaria aqui, dedicando alguns minutos da metade de uma tarde de trabalho para tecer comentários aleatórios sobre minha bela vida por aqui. Até porque a quantidade de trabalho não para de crescer e toda a irritação que eu passo com as pessoas incompetentes desse lugar me esvaem de toda e qualquer inspiração que eu pudesse ter pra escrever alguma coisa decente.
O problema é que eu não consigo trabalhar! Porque sabe aquelas pessoas idiotas que não sabem beber? Caí na farra ontem (sim, quarta-feira é pré fim de semana!) e acordei com o mundo girando ao meu redor. E não só o mundo, como o meu cérebro e o meu estômago também resolveram dar voltas em torno do próprio eixo e eu estou fazendo força pra segurar dentro do estômago as 5 folhas de rúcula que eu consegui comer no almoço.
E agora vem esse monte de gente querer me trazer trabalho e problemas federais e eu rezo por todo mundo, mentalizando suas cabeças explodindo. Aliás, minha cabeça parece que vai explodir. Assim que o cérebro parou de rodar, acho que começou a reter líquidos, inchou, dobrou de tamanho e começou a fazer pressão no crânio. E eu sinto que meu crânio vai rachar a qualquer momento, eu vou ter uma convulsão, vou cair no chão e vomitar sangue, rúcula e restos de morango da caipirinha de ontem.
Aliás, bem feito pra mim. Todo mundo sabe que eu odeio cerveja e fermentados afim. Só que ontem, depois de meio litro de vodka, meu nível de exigência já estava bem baixo e fui bebendo tudo o que me ofereciam. Quando me dei conta, estava com um copo de cerveja na mão, em uma rodinha de completos desconhecidos, brindando à noite, com bigodinho de espuma. Combinação explosiva.
Mas eu juro que nunca mais vou beber. (Até amanhã, claro, que já é sexta-feira e muitos eventos sociais me aguardam).

Thursday, October 22, 2009

outra do elevador

Eu tenho o dom de me irritar com as pequenas coisas do dia a dia. Tipo, hoje, eu tinha apertado o botão pra chamar o elevador e estava esperando chegar, quando aparece um outro sujeitinho qualquer. E qual é a primeira coisa que ele faz? Vai apertar o botão pra chamar o elevador!
Tipo, por que é que TODO MUNDO tem que SEMPRE apertar a bosta do botão do elevador, mesmo quando ele já foi apertado?? Tipo, aquela luz gigante em cima do botão tem uma utilidade! Não é enfeite, não! Sério, é irritante. Parece que não confia nos outros. "Ah, eles não apertaram direito. Vou apertar de novo".
E acho que o que irrita não é o fato em si, mas é a previsibilidade da situação. Vi o cara chegando e já imaginei que ele iria apertar o botão. Não deu outra. E pessoas previsíveis me irritam. E dizem que o que a gente sempre mais odeia nos outros são os nossos próprios defeitos. Então, podem me considerar previsível, porque odeio adivinhar atitudes. Mesmo em filmes. Mudo de canal na hora.
Pronto. Fiquei de bico os oito andares, até chegar no térreo.

Tuesday, October 20, 2009

essas estranhezas da vida

Não sei bem como aconteceu, mas eu percebi que toda vez que sinto vontade de comer atum, eu fico doente no dia seguinte. Não que eu coma atum e adoeça, porque, ao contrário do que alguns amigos frescos acham, atum enlatado é muito bom e super saudável.
E aí, toda vez que estou em casa, a noite, de bobeira, e me bate a larica de atum, já sei do destino que me espera e, muito espertinho, me entupo de vitamina C. É batata! Digo, atum. Eu como uma latinha seguida de meio litro de Cebion. E sabe que resolve? No dia seguinte, acordo todo entupido, mas é só. Não preciso lidar com febres ou dores de garganta irritantes. Só preciso encarar um nariz escorrendo. Na verdade, quem precisa encarar é quem convive comigo, né? Porque eu não ligo em ficar ranhento, mas tem gente que se importa de ver catarro.
Outro dia me peguei procurando desesperadamente por uma latinha de atum dentro do armário. Depois de muito procurar e revirar todos os mantimentos da semana (uns dois pacotes de Miojo e um vidro de ketchup), caí em mim e me dei conta da armadilha de satanás. Pior é associar atum a doença. Não é legal comer uma deliciosa pizza de atum pensando na influenza. Falando nisso, que vontade de pizza...

Sunday, October 18, 2009

parabéns, parabéns!

Às vezes eu sinto falta da época em que eu era um vadio desocupado que acordava meio-dia, almoçava, voltava a dormir e ficava até altas horas trocando scraps no orkut e bricando com a minha plataforma de Pump.
Trabalhar e estudar é complicado. Ainda mais quando a gente realmente tem coisas pra fazer no trabalho, em vez de ficar lendo blogs de piadas e correntes de e-mail no computador, ou olhando a paisagem pela janela (vantagens de trabalhar no último andar do prédio).
Tanta correria e nem pude comentar da minha maravilhosa semana de aniversário. Mais maravilhosa pelo fato de ter dado fim ao maldito inferno astral que destruiu com a minha vida, minha carreira e com todo o meu relacionamento social com a sociedade. (Melodramas e redundâncias à parte).
Era terça-feira, 06 de outubro, estava eu atarefado (de verdade), tentando dar conta daquela pilha de processos que se amarrotava e cobria a minha mesa até quase me soterrar por entre o calhamaço de papéis, quando vejo aquilo que seria uma fonte de prazer e desespero ao mesmo tempo: meus coleguinhas de trabalho chegando com pilhas de docinhos e salgadinhos. Prazer porque, pra variar, eu estava morrendo de fome, pensando em tortas de chocolate, desejando um brigadeiro a qualquer custo. Desespero porque, óbvio, festinhas no trabalho são sinal de vergonha, cantar parabéns e ter que fazer discurso para pessoas que gostam você, mas também para pessoas que te odeiam e querem que você morra. E eu odeio socializar, de qualquer maneira. Mas tudo bem. Fiquei mega feliz com a surpresa e mais feliz ainda ao me embuchar com toneladas de coxinhas, risoles, brigadeiros e docinhos de morango (sem precisar desembolsar um centavo sequer, hah!). Comi tudo o que podia e fui embora.
Obviamente me recusei a assistir aula em pleno dia do meu aniversário. Só que havia toda uma armação preparada. E me enrolaram pra eu não voltar pra casa e dar tempo de me fazerem mais uma surpresa. Owwwn. Sério. Foi super emocionante. Minha primeira festa surpresa!! Igualzinho às que a gente vê nos filmes!! Super american way of life! Abri a porta, acendi as luzes e um monte de gente pulou no meu campo de visão e cantou parabéns e foi lindo e emocionante.
Apesar de eu odiar momentos "parabéns a você"... Não sei quanto a vocês, mas eu nunca sei o que fazer enquanto todo mundo canta e fica olhando pra mim. E eu odeio pessoas me olhando. Eu fico sem graça, não sei onde enfiar os braços e fico desengonçado e mais esquisito tentando parecer normal.
E adorei todo mundo que compareceu pra dizer que me ama e eu sou tudo na vida deles. Quanto aos outros, bom... eu rezo. E acontece.
Depois da festinha, até rolou baladinha. Ok, não rolou. Mas rolou ir até o Wonka, que estava vazio, sentar no sofá (e sentar no sofá é praticamente impossível em dias normais) e tomar uma bebida, ao melhor estilo Friends possível.
E agora sou um velho, gordo, reumático, e tenho que sair da comunidade "Nunca tive uma festa surpresa" no orkut.


Em tempo, sexta fui pra Joinville e tive nova comemoração de aniversário com o povo querido que me ama naquela cidade. A festa oficial seria no sábado, mas oi? Ninguém apareceu. Tudo bem, coisas da vida... O nome de todos vocês está anotado no meu caderninho, pras minhas orações.

Saturday, October 03, 2009

coisas de atrasado

O bráquete do meu aparelho soltou e eu consegui encaixar um horário no final da tarde pra colar de novo. Estava eu trabalhando arduamente, e o meu trabalho é tão empolgante que, óbvio, me descuidei do horário e, quando me dei conta, faltava só meia hora pra consulta.
Eu achei que meia hora seria suficiente pra chegar até o consultório. Só me dei conta de que estava atrasado quando o meu colega de trabalho perguntou "Teu horário é as 17h mesmo? Então corre".
Óbvio que eu não ia sair correndo. Pelo menos não dentro do prédio. Chamei o elevador e, por um infortúnio do acaso, eu trabalho no último andar. Fiquei rezando pra mais ninguém entrar comigo no elevador, para que ele pudesse ir direto até o térreo.
Ok. Entrei. Apertei rapidamente o botão para a porta fechar, fingindo não ver aquelas pessoas que vinham correndo pra pegar carona. E não me olhem de lado. Tinha mais 7 elevadores que podiam levá-los a outro andar.
Meu alívio durou pouco porque, ainda no sétimo andar, o elevador parou para que um tio idiota entrasse. Tudo bem, tudo bem. Não vai ser isso que vai me atrasar. Só que o tiozão entrou e apertou o botão do quinto andar!! SERÁ QUE ESSE POVO NÃO CONHECE A PALAVRA ESCADA?!?!?!? Vai pegar elevador pra descer dois andares?? Será que ele não sabe que faz mal ser sedentário? Gordo inútil!
Tive que virar de costas pra ele porque não consegui disfarçar minha cara de ódio e nojo enquanto imaginava a cabeça dele explodindo.
Parou no quinto andar, o tio saiu. Meu ódio concentrado naquele gordo sedentário cheio de colesterol teve que se dispersar porque, é claro, alguém chamou o elevador no quarto andar!!
A porta abriu e, adivinhem, não tinha ninguém! Apertei o quanto antes o botão pra fechar a porta, só que nada acontecia. Apertei algumas vezes, e nada! Maldita hora que essa geringonça resolve pifar! Estava quase considerando sair correndo escada abaixo quando, pra meu alivio, a porta finalmente fechou.
Sai do prédio a passos largos e fiz o possível para não começar a correr. Só que acelerar os passos sem correr não é algo aconselhável se você não quiser parecer um mongo. Ainda mais para alguém como eu, sem muita habilidades motoras. Quando me dei conta, parecia um corredor de marcha atlética. Dai desisti de fingir e comecei a correr, descaradamente, rezando para não cruzar com nenhum guarda, porque correu, é bandido.
É, eu sei, rico correndo é atrasado, pobre correndo é bandido. Só que eu não tenho cara de rico, né? E por outro infortúnio do acaso, o predio onde trabalho fica do lado de um presídio. Neguinho Branquinho correndo na frente do presídio é penitenciário fugindo.
Tudo bem, continuei correndo só que tive que parar porque, claro, tinha que aparecer um cachorro no meu caminho!! E cachorros adoram perseguir coisas que se movem depressa. E como eu tenho amor às minhas canelas suculentas, fingi normalidade. Passo o canino, tentei retomar o ritmo de maratona, mas minhas pernas já não aguentavam. Meus músculos ardiam e eu sentia que a qualquer momento poderia ter um ataque de taquicardia. Eu sei, eu sei, percebi que não estou mais na flor da idade... Que não posso sair correndo por aí sem ter um ataque depois... e que eu também sou um gordo sedentário cheio de colesterol.
E quero terminar minha história dizendo que, obviamente, cheguei no terminal bem a tempo de ver o önibus saindo. E que eu teria conseguido pegá-lo se não fosse aquele maldito elevador, aquele cachorro sanguinário e eu nem vou comentar do idiota que se enrolou na catraca de entrada do terminal, só pra atrapalhar minha vida!!
Só mais dois dias de inferno astral!

Tuesday, September 22, 2009

dos endereços de e-mail

E apareceu um garoto aqui no MSN pedindo pra "adicionar no novo e-mail". E eu não entendo essas pessoas e suas manias de trocar de e-mail com a mesma frequência que trocam de penteado. E o que dá na cabeça delas quando vão escolher o nome??? Porque gabi_dengosinhahh@hotmail.com pode ser muito legal pra mostrar pra suas amigas do bairro, mas com que cara você fica quando tiver que preencher um formulário de emprego? Porque, oi? Eu não contrataria alguém cujo endereço eletrônico é dotadao23@gmail.com.
E será que as pessoas não se tocam que, sim, todo mundo envelhece? Porque aquela fórmula nome_idade funciona só pro ano em questão. Se eu sou thiago21 hoje, mês que vem terei um e-mail defasado (sim, meu aniversário está chegando!!). Trocar de endereço todo ano não é prático e muito menos agradável para seus amigos que vão precisar atualizar suas agendas e sempre cuidar para enviar mensagens pro lugar certo.

E meu inferno astral continua. Queimou novamente a resistência daquele maldito chuveiro e agora estamos desesperados ante a necessidade de tomarmos banho de caneca, já que aqui é IMPOSSIVEL tomar banho frio sem ter um surto de hipotermia. Já estou tratando de me convidar para fazer programas na casa dos amigos. Assim já aproveito e levo uma toalha e uma muda de roupas.

Sunday, September 20, 2009

pequenas caixas, grandes furos

Uma coisa é otimização de espaço, outra coisa já é esse absurdo que as empresas fazem com embalagens que têm volume três vezes menor que o produto que encerram. Eu comprei um desses aspiradores de pó portáteis (já que o meu último engasgou durante o meu pré inferno astral) e, depois que eu tirei da caixinha (e aqui eu faço questão de enfatizar o caixINHA) nunca mais consegui colocar de volta. Sério, eu até tenho dúvidas de que ele realmente veio dentro daquela embalagem. Porque é humanamente impossível o aparelho caber dentro daquele pedaço de nada, junto com todas as milhões de pecinhas e aquela mangueira grande e molenga (ui!). Eu até desenvolvi uma teoria de que os eletrônicos vêm embalados no vácuo e, quando entram em contato com o ar, expandem; tipo comida desidratada com água, sabe? É a única resposta plausível que eu encontrei!
Porque hoje eu fui inventar de arrumar a casa e levei mais tempo tentando enfiar o aspirador de pó na caixa do que limpando realmente o chão.
Aliás, deve ser o mesmo princípio das malas de viagem. Você faz as malas, tira tudo e, quando vai colocar de volta, só cabe metade. Será que percorrer longas distâncias incha roupas? Ou contrai malas? Diferenças de pressão atmosférica? Latitude? Altitude? Temperatura? Hum... mistérios... Mas deve ser isso mesmo. A Tramontina fabricou meu aspirador lá no Rio Grande do Sul e empacotou super de boa; só que até chegar aqui, houve esse evento misterioso que acontece durante as viagens e pufff, aspirador demais para pouco espaço.

E esse maldito inferno astral continua exercendo sua influência maligna sobre minha pobre áurea. Fui tentar tirar uma mancha de uma das minhas camisetas favoritas, só que eu esfreguei tão forte que abriu um buraco no meio do tecido! Fiquei com raiva e joguei a camiseta de volta no tanque, fingindo que nada tinha acontecido, pra ver se amanhã volta ao normal. Talvez se eu negar com bastante vontade, quando eu voltar lá de manhã, a camiseta esteja inteira...

"Diga o que você quer para se satisfazer, Mas você só quer o que todos dizem que você deve querer." Mika - Grace Kelly